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- Flávio se pronuncia após reunião com parlamentares do PL e outros aliados, que mostraram incômodo com a condução política do caso — Foto: Cristiano Mariz
Senador admitiu visita a Daniel Vorcaro durante prisão domiciliar em São Paulo; cúpula do partido teme novos desdobramentos e já estuda opções para o Planalto
Pressionado pelo próprio partido a explicar sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o pré-candidato do Partido Liberal à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, admitiu mais um fato que havia sido omitido de seus aliados políticos. Além de solicitar recursos financeiros ao empresário para a produção de uma cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador confirmou que realizou uma visita ao dono do Banco Master no final do ano passado, período em que ele cumpria prisão domiciliar. Na época, Vorcaro utilizava tornozeleira eletrônica e estava judicialmente impedido de deixar o estado de São Paulo. A nova revelação abalou significativamente as bancadas do partido no Congresso Nacional e consolidou o entendimento de que um novo acontecimento pode sepultar a candidatura do parlamentar.
Publicamente, os integrantes da legenda tentaram tratar o caso apenas como um novo revés político, mas nos bastidores as justificativas apresentadas foram consideradas pouco plausíveis. Diante da crise de confiança e do receio de que surjam novos fatos comprometedores, integrantes da cúpula do partido avaliam que um período de dez a quinze dias será o tempo necessário para reavaliar se Flávio Bolsonaro terá condições morais e políticas de prosseguir como candidato e se as recentes denúncias terão um impacto eleitoral irreversível.
O financiamento do filme e a defesa do senador
Em sua defesa pública, Flávio Bolsonaro sustenta que viajou até São Paulo exclusivamente para colocar um ponto final nas negociações relacionadas ao patrocínio do longa-metragem. Reportagens recentes revelaram que Vorcaro autorizou o repasse de sessenta e um milhões de reais ao filme intitulado "Dark Horse", uma transferência vultosa que atualmente é alvo de investigação pela Polícia Federal. Os mesmos veículos de imprensa também divulgaram áudios em que o senador cobra o pagamento de parcelas atrasadas. Flávio justificou que precisou ir até o encontro do ex-banqueiro por conta das restrições de deslocamento impostas a ele pela Justiça. O parlamentar argumentou que, se soubesse da gravidade da situação jurídica com antecedência, teria buscado outro investidor há muito mais tempo para não colocar o andamento do projeto cinematográfico em risco.
O senador reiterou que o único assunto tratado com Vorcaro, seja por telefone ou de forma presencial, foi estritamente o financiamento do filme. A avaliação interna no partido é clara: a pré-campanha de Flávio passará a ser considerada inviabilizada de forma automática caso surjam provas que contradigam a versão de que a relação entre os dois se limitou ao patrocínio da obra audiovisual.
Turbulências na campanha e possíveis substitutos
A revelação da visita a Vorcaro soma-se a uma série de turbulências recentes enfrentadas pela equipe de Flávio, incluindo atritos com o Centrão e versões desencontradas apresentadas por aliados e produtores do filme que levantaram dúvidas sobre a veracidade das informações. Após passar os últimos dias em reuniões fechadas, o senador reuniu cerca de setenta deputados e senadores em Brasília para pedir desculpas pela omissão dos detalhes, afirmar que não há mais nada a ser revelado e tentar convencer os colegas de que a crise pode ser superada. Durante o encontro, o senador sustentou a tese de que jamais teria deixado registros explícitos em mensagens de áudio se acreditasse estar cometendo algo ilegal, consolidando a defesa de que houve imprudência política, mas não um crime.
Apesar de o coordenador da pré-campanha, senador Rogério Marinho, negar de forma veemente qualquer chance de substituição na chapa, interlocutores afirmam que o partido já começa a mapear alternativas caso a situação se torne insustentável ao longo das próximas semanas. Nomes como o da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, da senadora Tereza Cristina e do próprio Rogério Marinho figuram como as principais possibilidades da cúpula, embora qualquer mudança abrupta dependa da aprovação de Jair Bolsonaro. Para tentar reverter o cenário negativo e evitar o isolamento, a ordem no partido é ampliar as agendas públicas de Flávio, que viaja para São Paulo visando estreitar laços com o setor empresarial e financeiro.
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Fonte: O GLOBO
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