Levantamento avaliou 5.570 cidades e apontou que região do Planalto Norte catarinense enfrenta grandes desafios para transformar arrecadação em qualidade de vida real

Os dados oficiais do Índice de Progresso Social, o IPS Brasil 2026, divulgados nesta semana, acenderam um sinal de alerta vermelho para os municípios do Planalto Norte catarinense. O levantamento foi elaborado por uma rede de organizações composta pelo Instituto Imazon, Social Progress Imperative, Fundación Avina, Amazônia 2030, Centro de Empreendedorismo da Amazônia e Anattá Pesquisa e Desenvolvimento. O estudo avaliou todos os 5.570 municípios brasileiros a partir de 57 indicadores sociais e ambientais. O foco primordial da pesquisa é medir não o volume financeiro de riquezas ou os investimentos brutos de uma cidade, mas os resultados que são efetivamente percebidos pela população em sua qualidade de vida diária.

O cenário regional revelado pelo índice mostra uma realidade preocupante. Apesar do discurso político recorrente sobre desenvolvimento econômico, aumento da arrecadação e grandes investimentos públicos, grande parte das cidades do Planalto Norte ainda apresenta um desempenho considerado muito baixo quando o assunto é o real progresso social. O IPS analisa fatores intrinsecamente ligados às necessidades humanas básicas e às oportunidades oferecidas aos cidadãos, utilizando dados públicos e atualizados para responder a uma pergunta central: os serviços públicos estão realmente chegando à população na ponta? Segundo os números da pesquisa de 2026, a resposta ainda está bem distante do cenário ideal.

O ranking regional e os piores desempenhos

Entre os municípios que compõem o Planalto Norte, a cidade de São Bento do Sul apresentou o melhor desempenho regional, ocupando a 251ª posição nacional, com o índice de 67,51 pontos. Na sequência regional aparecem Rio Negrinho, na 581ª colocação com 65,99 pontos, e Campo Alegre, no 764º lugar, registrando 65,32 pontos. Embora estejam significativamente à frente dos demais municípios da região, esses resultados ainda permanecem distantes das cidades brasileiras que ostentam os melhores índices de qualidade de vida do país.

A situação se torna ainda mais delicada e crítica no restante do Planalto Norte. O município de Canoinhas aparece na 1.087ª posição nacional com 64,39 pontos, seguido por Mafra no 1.518º lugar com 63,31 pontos, e Itaiópolis, que surge apenas na 2.747ª colocação. A base do ranking concentra os desempenhos mais alarmantes da região, com destaque negativo para as cidades de Major Vieira, na 3.734ª posição com 58,56 pontos, Papanduva, na 4.147ª com 57,58 pontos, e Monte Castelo, na 4.101ª com 57,72 pontos. O mesmo alerta gravíssimo recai sobre Santa Terezinha, que ocupou a 4.104ª colocação nacional com 57,71 pontos. Todas essas cidades citadas no final da lista figuram entre os municípios com os piores resultados consolidados do estado de Santa Catarina e também de todo o país.

Arrecadação versus progresso social real

Os números apurados pelo IPS 2026 reforçam o debate de que o crescimento econômico e o aumento da arrecadação de impostos não garantem, por si só, melhores condições de vida para a comunidade. A coordenação do IPS Brasil destaca que o indicador vai muito além da propaganda e foca exclusivamente na efetividade. A pesquisa ressalta que o que realmente interessa é saber se os serviços públicos estão sendo entregues aos cidadãos, e não o simples volume de recursos anunciados pelas gestões.

O dado estatístico impõe um desafio direto e imediato aos prefeitos e às lideranças políticas de todo o Planalto Norte. Em uma região que frequentemente anuncia inaugurações de obras, novos investimentos estruturais e a chegada de recursos, os indicadores demonstram que áreas fundamentais como a saúde, a educação, a segurança, o saneamento básico, a mobilidade urbana e a geração de oportunidades ainda não acompanham o discurso oficial. A mensagem deixada pelo ranking nacional é clara: as campanhas institucionais e a celebração do aumento de arrecadação têm um impacto extremamente limitado quando não se traduzem em melhorias concretas e reais para as famílias catarinenses.

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Fonte: IPS Brasil 2026 / Jornal A Tribuna do Vale

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