Crise no Agro: 'A renda do suor do agricultor está indo para quem vende insumo', diz Bohn Gass
data atualização
05/01/2026 07:05
O vice-líder do governo responsabiliza as privatizações por altos custos de produção e explosão de recuperações judiciais no campo
Apesar dos recordes de safra, o agronegócio brasileiro enfrenta uma grave crise de rentabilidade. Para o deputado federal Elvino Bohn Gass (PT-RS), vice-líder do governo no Congresso, o problema não está na produção, mas na estrutura econômica que, segundo ele, transfere a renda do agricultor para grandes corporações de insumos e tecnologia. Em entrevista ao ND Mais, o parlamentar atribuiu a crise à falta de investimento público e à privatização de setores estratégicos.
Privatizações e dependência tecnológica são alvos de críticas
Bohn Gass aponta que a venda de ativos como as Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (Fafens) e a BR Distribuidora aumentou a dependência do produtor brasileiro em relação ao mercado internacional. Ele afirma que o preço da uréia, que chegou a R$ 300, caiu para cerca de R$ 140 a R$ 150 com ações recentes do governo, mas que o impacto da privatização ainda é sentido no campo.
'O Estado mínimo tirou o poder do agricultor', diz deputado
Segundo o parlamentar, a ausência de políticas públicas robustas, como o fortalecimento da Embrapa, deixou o produtor vulnerável. “Não podemos mais permitir que o suor do trabalho, que a renda do nosso trabalho, saia das nossas mãos”, declarou. Ele defende a reestatização dos setores estratégicos e o aumento do investimento em pesquisa pública.
Polêmica com arrozeiros e contratos de opção
O deputado também compartilhou as polêmicas relacionadas à produção de arroz. Ele afirma que o governo ofereceu contratos de opção de venda de R$ 87 por saca, mas que a oposição orientou os agricultores a não aderirem, apostando na alta do mercado. Com a queda do preço para R$ 60, muitos produtores acabaram prejudicados. “Eles não defendem o mercado livre?”, questionou.
Subsídios são fundamentais para a produção, afirma Bohn Gass
Para o parlamentar, não há produção agrícola viável no Brasil sem financiamento público. Ele cita o Plano Safra, o Pronaf e as linhas de crédito com juros subsidiados como instrumentos essenciais para a sobrevivência do campo. “Dá para acreditar que alguém pode produzir só com recursos próprios? Não”, afirmou.
Sustentabilidade e conectividade no campo são prioridades
Bohn Gass defende uma transição para uma agricultura mais sustentável e conectada. Ele alerta que o mercado internacional está cada vez mais exigente com relação ao uso de agrotóxicos e que o Brasil precisa se adaptar para não perder espaço. A conectividade no campo também é vista como prioridade para aumentar a produtividade e abrir novos mercados.
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