No último sábado, tive a oportunidade, como de costume, de pegar o jornal que circula na cidade e região e ler as principais notícias. Sempre começo pelo Editorial que geralmente dá o ‘tom’ e norteia o que está para ser ‘consumido’ nas páginas seguintes e novamente a questão do fim do Voto Secreto na Câmara de Vereadores de Rio do Campo ocupava espaço nas páginas. Não fora aprovado. Por certo, a impressão que dava é de que o assunto já teria sido resolvido, mas não. Surpreendentemente continua por falta de esclarecimento, talvez de duas palavras importantes, Justiça e Política.

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Primeiro: a justiça (neste caso) ainda é muito pessoal – e quando não, muito partidária. A Justiça da qual escrevo está bem presente na filosofia grega e de forma esclarecida no livro ‘A República’, de Platão. (Sugiro a leitura, o livro se encontra na Estante Virtual).

No livro, Platão define os princípios da verdadeira Justiça e como deveria ser aplicada à população: O primeiro princípio da Justiça seria a solidariedade social, forma pela qual a pessoa contribui para o bem estar coletivo. O segundo é o desprendimento, dever consciente de pessoas realmente dispostas a prover o bem comum. Se a justiça não for vista e entendida assim, como no livro de Platão, a ‘cidade desmorona’ e a sociedade decai, fica nas mãos de sofistas, de Trasímacos.

Segundo: Não é política, pois esta é feita por nós que estamos do ‘lado de cá’ da mesa das decisões; do lado de lá, por enquanto e infelizmente não é política. Segundo a descrição de Chauí, polis significa cidade, entendida como comunidade organizada, formada pelos cidadãos (politikos), isto é, pelos homens nascidos no solo da cidade, livres e iguais, portadores de dois direitos inquestionáveis, a isonomia: igualdade perante a lei e a isegoria: o direito de expor e discutir em público opiniões sobre ações que a cidade deve ou não realizar.

É certo o que está se passando na Câmara de Vereadores: interesses partidários. Cada um com sua espada para atacar e seu escudo para se defender ou para quem leu ‘A República’, retrata de certa forma o Mito da Caverna. Alguém está saindo e correndo o risco, mas como o livro nunca foi folheado por um público tão seleto assim, vamos ficar com a espada e o escudo (defesa e ataque), mais facilmente é visto porque passa na sessão da tarde ou no vale a pena ver de novo.

Tendo dito isto, fica este questionamento e ao mesmo tempo a dúvida: Porque não tornar público as questões que é de interesse público? Sei que não será neste ano que o fim do Voto Secreto não vai passar pela Câmara de Vereadores de Rio do Campo. Os contextos tanto para a Proposta da Emenda quanto a negação da mesma tem outros interesses que não são verdadeiramente políticos e sim partidários. Uma pena e uma vergonha.

Também aproveito para sugerir aos senhores (a) vereadores (a) que quando tiver Voto Secreto na Câmara, façam o seu Voto Declarado.

Explico: anotem seu voto SIM ou NÃO no papel e antes de depositar na urna, apresente declaradamente para os presentes no local e como nossa Câmara tem câmeras para captar imagens, mostre por cinco segundos o seu voto declarado na direção da câmera, assim ele mesmo sendo secreto, pode ser declarado e tornado público. Assim bons vereadores (a) estarão contribuindo com a tão discutida transparência na política brasileira. E ouvirá sempre um ‘muito obrigado!’ do povo. Vale lembrar: estou sendo isegórico!

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