Diante do Plano de Deus escrito nas linhas do primeiro Livro da Bíblia, a família seria o centro para onde tudo no mundo iria se voltar. Entretanto, tem-se visto que aconteceu a perda de dois grandes valores evangélicos no mundo familiar: o amor e o trabalho.

Publicidade

O primeiro, referido no Gênesis 2,24 fala de uma “só carne”, o amor entre o marido e a mulher os fariam um único corpo que a partir do sagrado matrimônio se tornaria uma família, pois as pessoas foram criadas para amar e serem amadas. Ser uma só carne é um dom de si que enriquece a pessoa amada. É um dom de fecundidade para os dois, pois se abrem para a vida. Assim, o matrimônio estaria configurado como uma entrega recíproca, como um chamado ao amor, a um valor inestimável e irrecusável para o ser humano. O segundo, Gênesis 1,18, aponta o caminho da existência privilegiada da família “Crescei, multiplicai-vos e dominai a terra”, este deriva do primeiro valor e aqui aparece a conexão entre a família (multiplicai-vos) e o trabalho (dominai a terra), inseparáveis e completamente unidos como um único mandamento.

Quer dizer, que a partir do momento que Deus cria o ser humano, fica bem clara a ordem de trabalhar e o sentido que teria o trabalho: transformar a terra para que se converta em lar. O trabalho não é apenas para uma realização pessoal, um passatempo para recolher fundos materiais. É muito mais que isso, é para que a família viva bem. Desde a origem da existência humana o trabalho e a família sempre estiveram unidos e o trabalho era para servir a família. Agora, as coisas mudaram. Existe um contraponto entre a família e trabalho. Dá a sensação de que houve uma ruptura entre os dois. A família aparece como um obstáculo para o trabalho e vice-versa.

O que aconteceu? O que deixamos de escutar e praticar nestes últimos anos a ponto de não mais conseguir conciliar duas instituições extremamente saudáveis? Criou-se um dilema muito atual? Ou trabalho ou filhos; ou um cônjuge ou um trabalho; as duas coisas ao mesmo tempo se tornaram impossíveis.

Parece que a perda do sentido da família está gerando nas últimas gerações uma perda de sentido no trabalho. As empresas para amenizarem o grande perigo que criaram, começaram a usar slogans desconcertantes, como “nesta empresa, somos uma grande família”, “a empresa é a minha segunda casa”. Talvez fosse errôneo pensar desta forma, mas é que não existe outra saída para manter o vínculo gerador de sentido na vida da pessoa empregada e o vínculo gerador de lucro na vida da empresa. Compreende? O trabalho não é mais voltado para a família, aquela que está no lar precisando de carinho, tempo, afeto, existência. Tudo está voltado para a empresa, para alcançar as metas! E assim o trabalho deixa de ter aquele antigo sentido: dar vida a uma família humana, consanguínea e afetuosa.

Tem que haver uma reconciliação rápida entre a família humana e o trabalho. Função que não pode ficar nas mãos do Estado. Ele não serve para isso. A solução está no coração do bom marido e da boa esposa, com seus filhos e com muito amor.

Deixe seu comentário

comentários

COMPARTILHAR