Coerentemente pensa-se que a vida humana não tem preço. Que ela não pode ter valor material nem ser comparada a nada, além dela mesma. E que a única justificativa para não se impedir uma morte é quando esse ato impede a perda de um número de vidas ainda maior. O alemão Kant foi um dos que ensinou que seres humanos têm dignidade, não têm preço, até porque o que tem preço pode ser substituído por outra coisa, equivalente.

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Também é correto pensar que todas as vidas humanas têm valor igual. Contudo, não é bem assim. A todo momento há etiquetas de preço espetadas nas vidas por uma infinidade de motivos. Entraves burocráticos e políticos são dois desses motivos que compõem uma longa lista.
A expressão anterior parece ser forte, mas claramente, ainda que por trás de cortinas, é uma expressão muito sugestiva e real. Desta forma, o cuidado e a prevenção são, em muitas das vezes, as últimas atitudes a serem tomadas. E realmente, a expressão popular ‘Prevenir é melhor que remediar’, ou melhor, dentro desse diálogo de hoje caberia mudar para ‘Prevenir é melhor do que chorar’, revela bem que a prevenção não é uma prática comumente trabalhada, o que define a ausência de zelo à vida humana.

Principalmente em meio às políticas públicas, as ações preventivas estão bem superficiais, gemendo para criarem forças, através de poucos esforços de apenas alguns braços coerentes e humanos. No fundo trata-se apenas de uma equação matemática a mais para governos decidirem quanto querem gastar em programas destinados a diminuir perdas desnecessárias de vidas.

Em Rio do Campo, a construção de poucas e simples lombadas, talvez quatro ou cinco, apontam um grau bem acentuado de prevenção a vidas, visto que o perímetro urbano do município abraça uma rodovia estadual que compreende a ligação entre municípios.

No entanto, assim como citado acima, os entraves políticos e burocráticos têm mostrado mais força do que gritos de alguns pais, avós e familiares que se angustiam pela necessidade de seus entes queridos terem que atravessar esta rodovia.

Afinal, quantas vidas ainda precisam pagar pelo preço dessas lombadas?

Quem sabe, a vida de um filho ou de um ente querido dos que estão com a caneta na mão para autorizar o pagamento correto e justo das lombadas sentenciará o projeto executado de mais lombadas na SC-427, no perímetro urbano do município de Rio do Campo.

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