Foto: JATV

Anualmente, o mal de Alzheimer atinge 2 milhões de brasileiros. A doença é progressiva e destrói a memória e outras funções mentais importantes. Pessoas com mais de 60 anos são os maiores afetados.

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Perda de memória e confusão são os principais sintomas. Não existe cura, mas os medicamentos e as estratégias de controle podem melhorar os sintomas, temporariamente.

Maria Alegri, de 78 anos, moradora de Rio do Campo, convive diariamente com o Alzheimer. Sua filha, a agricultora Adriana Alegri Uliano, de 40 anos, é responsável por cuidar de Maria. Conforme Adriana, os primeiros sintomas apareceram há sete anos “O sintoma era esquecimento. Não imaginávamos o que era, achávamos que era da idade, até então nem conhecíamos a doença”, diz.

Com o aumento dos sintomas, a família levou Maria a um neurologista em Rio do Sul, que teria dito que o esquecimento fazia parte da idade e medicou a mãe de Adriana “Ficou uns dois anos, aí vimos que estava agravando e levamos em Lages. Na tomografia constatou que era Alzheimer, então o médico deu um remédio e disse que quando ela piorasse era para levar lá de novo”. Adriana conta que após isso, um novo médico passou a ser consultado, em Blumenau.

Hoje, Adriana e uma irmã são responsáveis por cuidar e dar atenção à Maria. O Alzheimer está na fase intermediária, então a mãe de Adriana ainda não tem problemas em se alimentar e executar tarefas básicas, do dia a dia. Conforme Adriana, o médico a orientou para estimular sua mãe a realizar atividades como forma de estímulo.

Apesar de não ter atingido as fases mais graves, Adriana precisa dar muita atenção à sua mãe “Tem que mandar tomar banho, contudo, ela toma banho sozinha, troca de roupa. As dificuldades é o esquecimento, se você não falar ela fica o dia todo sem comer, ela não reconhece ninguém, mal conhece quem é da família. Ela chama a gente de mãe até lembrar que somos filhas dela, que sou a Nega”, conta.

Uma irmã de Adriana, que vive em Blumenau, já não é mais reconhecida pela mãe “Minha irmã de Blumenau ela não conhece mais, as pessoas que ela não vê com frequência ela não conhece mais. Ela ainda tem uma facilidade com as pessoas que estão presentes. A única pessoa que ela não esqueceu o nome foi o Adari, que é o genro preferido dela”, afirma.

“Vai ter uma hora que ela não vai mais comer, pois ela ainda está na fase moderada, não é a grave”, diz Adriana.

Maria faz o tratamento para retardar os efeitos do Alzheimer “Fazemos um tratamento com o médico de Blumenau”, afirma Adriana, “Mas ele disse que uma hora vai chegar, mesmo com o remédio, a doença vai avançar. Retarda um pouco, mas não evita”.

A mãe de Adriana não tem mais condições de sair sozinha. Recentemente, ela saiu de casa sem ser notada e não conseguiu mais retornar “Procuramos ela na praça inteira. Até que meu celular tocou e me disseram que tinham achado ela. Mas ficamos em uma apreensão, uma angústia. É igual uma criança, em questão de segundos ela some de vista. Às vezes estamos tão entretidos no serviço, achamos que ela está ali, mas no fim não está. Hoje ela já não está em condições de ficar sozinha, ela não tem essa condição. Se ela sair não vai saber voltar para casa, talvez saiba falar o nome dela, tanto é que aquele dia ela disse o nome dela”, conta a filha.

“Só quem convive sabe o quanto é triste. Pois ela está no mundo e mais nada. É triste saber que você tem a mãe, mas não pode contar nada com ela”, lamenta Adriana emocionada.

Apesar do Alzheimer, Maria tem boa saúde “Fizemos exames nela e ela não tem nada, apenas o Alzheimer. Quem olha para ela pensa que ela não tem nada, é saudável. Ela é vaidosa, se cuida, sempre bem arrumada. Gosta de dançar, vai toda semana no clube do idoso”, afirma Adriana.
A família de Maria Alegri faz um apelo à população, para que caso a vejam na rua desacompanhada, que avisem a família. Os números para contato são: 47, 3564-1014 (casa), 98473-1294 (Adriana) e 98458-6572 (Adari).

O que é Alzheimer?

A doença de Alzheimer é uma doença degenerativa do cérebro que acomete pessoas com mais idade. Funções cerebrais como memória, linguagem, cálculo, comportamento são comprometidas de forma lenta e progressiva levando o paciente a uma dependência para executar suas atividades de vida diária.
É um processo diferente do envelhecimento cerebral, pois ocorrem alterações patológicas no tecido cerebral como deposição de proteínas anormais e morte celular.

Causas

A medicina ainda não sabe a causa do Alzheimer, embora seja conhecido o processo de perda de células cerebrais. O que se sabe é que existe uma forte relação com a idade, ou seja, quanto mais idoso, maior a chance de desenvolver a doença.
O Alzheimer não tem um caráter nitidamente genético, com transmissão direta de geração a geração. O que se estima é que haja a transmissão da predisposição para desenvol
vê-la, o que, junto a fatores ambientais, poderá ou não desencadeá-la.

Principais Sintomas

Os primeiros sinais são a perda de memória e o comportamento alterado do indivíduo. Não é qualquer perda de memória que devemos ficar alertas, mas àquela que se repete e começa a comprometer o dia a dia da pessoa, interferindo no funcionamento das atividades pessoais.

Com o evoluir da doença, estas perdas são cada vez mais progressivas e comprometem até memórias autobiográficas do paciente (como nome dos filhos e netos).
As alterações comportamentais podem ocorrer desde o início e são muito frequentes no decorrer da doença. Indivíduos com Alzheimer podem ter características depressivas, de agitação e de agressividade, ou até mesmo delírios e alucinações.

Diagnóstico

O diagnóstico atualmente se dá com a entrevista médica e a exclusão de outras doenças por meio de exames de sangue e de imagem (tomografia ou ressonância magnética) e avaliação neuropsicológica (expandida ou computadorizada). Não existe ainda um marcador biológico da doença, ou seja, um
exame único que o médico possa pedir e ter a segurança total do diagnóstico, mas recentes avanços laboratoriais têm melhorado a acurácia diagnóstica.

Tratamento

Existem medicações atualmente que estabilizam a doença ou diminuem a velocidade de perda funcional em cerca de cinco anos ou mais, podendo oferecer mais tempo com qualidade de vida ao paciente e aos familiares. Apesar do Alzheimer não ter cura, estas medicações, desde que bem otimizadas, podem oferecer conforto, alívio e qualidade de vida.

Prevenção

Atualmente podemos atuar em cinco áreas de prevenção de demência que terão muito mais efeito se realizadas conjuntamente, e mais eficazes se iniciadas precocemente:
– Atividade física apropriada para idade (de preferência atividade aeróbica);
– Alimentação balanceada e voltada para alimentos naturais – dieta do mediterrâneo, alimentos ricos em ômega 3;
– Prevenção de fatores de risco vascular como controlar diabetes, hipertensão, dislipidemias. Evitar tabagismo, álcool em excesso;
– Atividade intelectual: testes, exercícios mentais, manutenção atividade pro
fissional, programa de reabilitação cognitiva;
– Preservação das relações sociais e familiares (convivência interpessoal, manutenção e reforço de vínculos afetivos).
Ainda não existem remédios milagrosos ou procedimentos definitivos, porém a medicina tem evoluído rapidamente na busca dos melhores recursos para tratar e prevenir o Alzheimer.

Incidência

No Brasil estima-se que cerca de um milhão de pessoas sofram de Alzheimer. A doença acomete principalmente pessoas entre 60 e 90 anos, podendo aparecer antes e também depois desta faixa de idade, porém com menor frequência.
Desde o início dos sintomas, como o esquecimento, até um comprometimento mais grave, com limitação de marcha e da capacidade de engolir, podem se passar de 10 a 15 anos. A doença em si não leva à morte, mas sim a complicações decorrentes do comprometimento de diversas funções.

Fonte: Hospital Israelita A.Einstein

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