Foto: JATV

Faleceu nesta sexta-feira, dia 07, José Schörner. Popularmente conhecido como ‘Juca’, era marceneiro há 50 anos e faleceu em Pouso Redondo, vítima de um infarto. Juca também lutava contra um câncer.

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No dia 23 de junho de 2017, o Jornal A Tribuna do Vale publicou uma entrevista com o seu Juca, que contou sobre sua marcenaria e sobre os trabalhos que já ultrapassam quatro gerações. Confira a seguir a reportagem:

Especial profissões: A marcenaria na Família Schörner já ultrapassa quatro gerações 

(Publicada em 23/06/2017)

José Schörner, mais conhecido como Juca, é o marceneiro mais antigo da cidade. Juca, com 67 anos, ainda está atuante na profissão. O experiente profissional conta que quando iniciou sua carreira, na década de 60, com apenas 17 anos, foi seu pai, Lindolfo Schörner, quem teve uma grande influência sobre ele, pois segundo Juca, na época as famílias ajudavam umas às outras, e por já ter uma boa idade foi ajudar o pai junto com seu irmão Olívio.

Seu Pai Lindolfo iniciou na profissão em 1929, também com 18 anos. E hoje com Juca não está sendo diferente, ele também tem uma boa influência sobre seu filho Anderson e seu neto Mateus, que trabalham junto com ele para dar continuidade a esta atividade que atravessa gerações na família Schörner.

Questionado sobre sua primeira criação como marceneiro, Juca diz que foi um guarda-roupas de três portas. Mas foi apenas a primeira criação de muitas outras peças, como carrocerias de caminhão, carretinhas, portas e janelas, e assim como José Hermes, Juca também fabricava suas próprias máquinas.

Com toda sua experiência, Schörner também ensinou outras pessoas, até na fabricação de canoas, pois era um trabalho muito difícil devido às metragens exatas e as formas côncavas. Ajudou também seu filho e neto que hoje seguem o mestre.

Juca, Anderson e seu neto Matheus (Foto: JATV)

“Somos muito bem aceitos no mercado, graças a Deus. Estamos com uma agenda de produção cheia até vários meses à frente, devido ao nosso bom trabalho, dedicação e empenho, mas não foi sempre assim, no início enfrentamos grandes dificuldades, principalmente na parte financeira, pois sabemos que para dar início a um empreendimento se tem custos, e não possuíamos estes recursos, por este motivo fomos caminhando aos poucos, mas com o reconhecimento dos clientes o nosso trabalho foi se expandindo e hoje somos uma empresa bem conceituada”, afirma Juca.

Segundo Schörner, hoje está bem mais fácil para quem pensa em abrir uma marcenaria, pois com pouco investimento já se consegue trabalhar. “Você compra uma esquadrejadeira e uma coladeira, ou seja, com poucas ferramentas já começa um negócio. Na época da madeira já precisaria de umas sete ou oito máquinas. E os custos envolvidos nessas máquinas, na época, eram altíssimos, ou você investia ou você as fabricava, que também ia um certo tempo. E sem contar o tempo que se gastava com todo o preparo da madeira para dar início ao processo de montagem do móvel, então até entregar o móvel para o cliente existia um período grande de tempo, e até montar na casa dele, já não se tinha o retorno financeiro empregado no produto”, comenta o marceneiro.

Para Juca, atualmente para entrar na profissão, além de estar bem mais fácil, está mais barato, sem contar as linhas de créditos que estão disponíveis para quem tem um negócio, incentivos do governo e cooperativas de créditos.

“Assim, se compararmos a questão do tempo e a parte financeira de quem iniciou lá na década de 80 para hoje, chega a ser 70% mais rápido para se ter um retorno, levando em consideração o tempo de produção e custos de compra do material”, ressalta Schörner.

Anderson segue os passos do pai há dois anos. O jovem recentemente trabalhava na redação e confecção de uma revista de circulação nacional, produzida por uma agência de publicidade do município. Embora trabalhasse em uma área totalmente diferente, Anderson afirma que sempre gostou muito do ramo de marcenaria “Sem contar que é um negócio de família. Então nos últimos dois anos adquirimos as máquinas para a confecção dos móveis, e acabei iniciando efetivamente os trabalhos com o pai em um determinado período do dia. A partir daí adquiri uma boa experiência com o velho”, conta Anderson.

Hoje Anderson faz desde o projeto para apresentar ao cliente, conforme as necessidades dele, até a fabricação e montagem do produto final. Mas diz que a supervisão e a opinião do pai ainda são bem-vindas. “Meu pai é o meu mestre”.

Anderson garante que de agora em diante a marcenaria ‘Schörner Móveis Sobre Medida’ será o seu futuro, pois ele gosta de ver sua criação final.

Foto: Arquivo pessoal

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