Foto: Divulgação

Padre Saule Dias deu os primeiros passos para sua jornada sacerdotal, em 2001, quando ingressou no Seminário Dehoniano, da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, em Corupá, SC. No ano de 2004 passou a morar em Brusque, onde cursou a Faculdade de Filosofia, formando-se em 2005.
O Padre mudou-se para o Seminário Diocesano Dom Tito Buss, em Brusque, no ano de 2005 e durante o ano de 2006 residiu em Rio do Sul, no Seminário Propedêutico.

Publicidade

Já em 2007, passou a morar em Florianópolis, no Seminário diocesano João XXIII e estudou Teologia, formando-se em 2010. Tornou-se vice-reitor do Seminário no final de 2010, onde permaneceu até 2011.

Em 28 de maio de 2011, Saule Dias recebeu a ordenação diaconal, em Rio do Sul, e foi ordenado padre em Vidal Ramos, no dia 30 de julho de 2011.
Sua vida em Rio do Campo começou em 2012, quando assumiu como administrador paroquial na Paróquia São José Operário. E, em 2016, oficialmente assumiu como pároco da mesma paróquia, onde permaneceu até então.

Durante o período que Pe. Saule residiu e exerceu seu sacerdócio em Rio do Campo, ficou comprovada a admiração e a amizade de muitos riocampenses pelo sacerdote, inclusive de pessoas que não professam a fé católica. O que define a importante passagem que não só o sacerdote Saule, mas a pessoa que o denomina teve no município.

Já homenageado no mês de dezembro, em solenidade na Câmara de Vereadores, Pe. Saule Dias se despede oficialmente da cidade no primeiro sábado do mês de fevereiro, dia 03, quando passará o ofício de líder máximo da comunidade católica do município para o novo sacerdote que chega, Pe. Gilson. O evento ocorrerá durante a missa na igreja matriz São José.

Antes de deixar o posto sacerdotal em Rio do Campo, Pe. Saule concedeu uma entrevista ao JATV. Acompanhe.

JATV: Por quanto tempo o senhor permaneceu como pároco, em Rio do Campo?

Pe. Saule: Tive a bênção de residir em Rio do Campo por 6 anos, completados nesta semana, no dia 21 de fevereiro. Estava na cidade nesta data. Como pároco, aproximadamente de 2 a 3 anos, antes estava como administrador paroquial, função dada pelo Bispo Dom Augustinho, na época.

JATV: Foi a primeira paróquia que o senhor assumiu como pároco?

Pe. Saule: Sim, esta foi a primeira paróquia, antes estava no Seminário Maior, auxiliei na formação por um ano, aproximadamente.

JATV: Como foi esse período em Rio do Campo, quais as experiências, os aprendizados como líder católico?

Pe. Saule: Aqui, não teriam linhas suficientes para suportar o excesso de palavras e frases que descreveriam meu ministério sacerdotal nesta cidade! Aprendi a conhecer Jesus Cristo no outro: nas suas alegrias e nas suas dores. Aprendi a ser mais humilde e ficar satisfeito, até certo ponto, com a vida que escolhi, quando sentia o sofrimento dos outros diante da vida. Sempre me senti muito feliz, mesmo quando os ‘ventos eram contrários’. Toda a Paróquia, do centro ao interior, me proporcionara uma experiência única de Deus, celebrando a santa missa, realizando os sacramentos de início ao final da vidas. Também, junto as demais organizações municipais, onde quis a Igreja sempre presente. No entanto, o que mais me chamou atenção e que jamais esquecerei: aprendi que sou limitado demais e um grande pecador! Deus têm sido para mim a maior ‘Fortaleza’ diante da vida que se apresentara para mim! Especialmente naqueles momentos muito sensíveis da vida dos paroquianos, onde por outras razões, não pude estar presente. Batizados, casamentos, enterros, unção dos enfermos, aniversários… e por fim, aprendi a ser grato, onde via a ingratidão.

JATV: Problemas na área espiritual existem em todos os lugares, em todas as cidades. No entanto, no seu ponto de vista esses problemas variam de população para população, conforme características e fatores predominantes que formam determinada população?

Pe. Saule: Gostei da pergunta, ela já traz um juízo e, é verdadeiro: os problemas espirituais existem em todos os lugares sim! Quanto às características que predominam, sim. A cidade ainda é rural na sua totalidade. Não temos shopping, não temos engarrafamentos, não temos vida noturna ativa por vândalos e nem baladas que promovam a droga e o sexo desordenado, não temos um número exagerado e crescente de homicídios e assaltos. Quando vim para Rio do Campo, agradeci muito a Deus. Ele havia me dado um presente e tanto: cidade pequena. Povo conhecido. Vizinhos bons. Gente de verdade e verdadeira. Povo esforçado e trabalhador, carinhoso e criativo. Estas são algumas das características que difere das demais cidades. Os problemas espirituais surgem quando tudo isso é trocado pela mesquinhez, indiferença, materialismo e fornicação.

JATV: Cite os problemas espirituais mais agravantes que o senhor identificou, de maneira geral, na população riocampense.

Pe. Saule: Como mencionado acima, o materialismo está crescendo, dois movimentos são importantes para algumas famílias: trabalhar demais e ganhar muito dinheiro. Outro problema sério, seria a destituição dos valores familiares, onde os pais não se conhecem e não se amam, enquanto casais! Casam por outras causas, menos por amor. Também a indiferença com a cultura e a religião na família e na formação dos filhos. Sabem tudo sobre futebol e política, mas se perguntar quando o Brasil foi invadido pelos portugueses…. Na fé, sobre religião, bah!… Me esforcei nas catequeses durante as missas, mesmo sabendo que muitos não gostavam. Falei muito sobre a infidelidade conjugal e as injustiças, problemas seríssimos! E por fim, para não me alongar, o vazio de si: as pessoas estão com os bolsos cheios de dinheiro, o corpo cheio de prazer, a casa cheia de móveis chiques e celular top! Mas estão cada vez mais vazios de si! Isto é perigoso demais. Tenho falado muito e escrito a respeito.

JATV: Em sua experiência como líder espiritual, quais são os fatores que desencadeiam esses problemas na população riocampense?

Pe. Saule: A indiferença, o interesse por não mais se preocupar com a dimensão última do ser humano: a salvação eterna! O povo não fala mais do céu e ri quando se fala do inferno. Outro: a pressa! A vontade de voltar pra casa e que nada demore muito. Outro: a vontade exagerada e descontrolada de ter prazer, dinheiro e autonomia. Quando se descuida do espiritual, possivelmente outras coisas vão embora de rio abaixo.

JATV: Qual sentimento que o senhor leva de Rio do Campo que deixará
saudade?

Pe. Saule: Isto é forte! Sentimento é a voz da alma. Gratidão é o primeiro. Coragem é o segundo e o mais forte é o de sensação de que pude fazer alguma coisa e fiz. Paro e me pergunto: o que fiz por este povo: e o sentimento é de que fui ‘útil’, realizei uma tarefa segundo a vontade de Deus! Isto é perfeito!

JATV: E o que, infelizmente, o senhor prefere esquecer?

Pe. Saule: Pergunta esta que exige franqueza e, gosto de ser franco. Quero esquecer aqueles sentimentos produzidos pela política riocampense! Quantas famílias ainda permanecem brigadas! Quanta gente tola e tansa se orgulha por ter ‘derrotado’ o seu adversário! Quero esquecer os olhares entre as lideranças e o tom de voz quando conversavam e a gente sabia que aquilo ali era fruto da desgraça da política partidária! Quero esquecer!

JATV: Deixe uma mensagem aos cristãos católicos e população em geral
que o acolheu.

Pe. Saule: Agradeço infinitamente ao Jornal A Tribuna do Vale! Vocês foram fenomenais comigo, Deus os abençoe grandemente. Também àqueles que acompanharam durante todo este tempo a minha coluna neste Jornal. Que leram, comentaram e reproduziram os pensamentos e as críticas. Escrever não é fácil, como padre e sobre certos assuntos, só por Deus.

Aos cristãos católicos eu tive muito tempo para falar e acho que falei demais de Deus, da família, da escola, da saúde e da política… falei demais! Quero me dirigir aos cristãos evangélicos, espíritas e luteranos, tenho bons amigos neste meio, a vocês, perdão pelas vezes em que não fomos fruto de comunhão. Na minha Igreja sempre me referi as religiões partindo da Teologia e da Doutrina Católica, como padre devo fazer isto. Nunca tive o interesse de ofender ou machucar. Nunca quis mesmo! Mesmo porque já estive dentro de outras igrejas em Rio do Campo. Sempre atendi na minha sala muitas pessoas de outras religiões e denominações, também nas missas acolhi pessoas de outras religiões. Tenho amizade com pastores fenomenais! Rezo por vocês, rezem por mim. Ainda continuo sendo um grande pecador, estou no caminho de volta para a Casa do Pai, sou como o filho pródigo. Nosso lugar é o céu! E aos demais, vamos continuar desejando o céu! Fomos feitos para o céu! Muito obrigado.

COMPARTILHAR